São Francisco de Assis - Jardim Santa Tereza



Foto da Igreja

O Jardim Santa Tereza foi loteado a partir de 1971, pela Imobiliária Rio Grande S/C. Na década de 1990, ganhou novas ruas, que formam o que se conhece por Jardim Santa Tereza 2. É, atualmente, o bairro mais populoso de Rio Grande da Serra.

Com a chegada dos migrantes e a acelerada venda dos lotes, no final de 1972, as Irmãs Franciscanas de Cristo Rei, que visitavam a cidade para se instalarem no ano seguinte, solicitaram à Iolanda Zalucchi, que recenseasse as famílias católicas do bairro recém-criado.

Com esse recenseamento, descobriu-se que as pessoas sofriam bastante com a mudança para o bairro, também, no aspecto religioso: havia muitas crianças sem batismo e pessoas que não recebiam a Eucaristia nem participavam da missa por não saberem onde existiam igrejas.

Na época, Rio Grande da Serra ficava longos períodos sob neblina e garoa, o que impossibilitava as pessoas de conhecê-la, além do fato de se dedicarem à construção das casas nas poucas horas vagas.

Em 1976, o Frei José Boeing analisou os resultados colhidos nos levantamentos realizados nos bairros e constatou a necessidade de criar novas comunidades. Ele começou a celebrar nas vilas. Neste ano, pode dizer-se que nasceu a Comunidade São Francisco de Assis, com a ajuda das Irmãs, em especial da Irmã Renata Tonello, que dirigia o trabalho na área.

Para visitar as famílias, as irmãs caíam e sujavam-se no barro das ruas íngremes e sem calçamento.

Os primeiros trabalhos pastorais foram a catequese e os grupos de rua. As catequistas eram instruídas semanalmente pelas irmãs, e os grupos de rua reuniam-se e caminhavam com lamparinas, de casa em casa.

Eram feitas orações e reuniões, e, com o empenho da comunidade, conseguiram-se recursos para a compra de um terreno.

Em 11 de março de 1977, o terreno para a construção da capela foi comprado. Dom Cláudio Hummes colaborou com a doação de 30 mil cruzeiros da Diocese, que foram usados para pagar a entrada. As parcelas foram pagas com muita dedicação, através da realização de eventos e pela colaboração de várias pessoas. Muitas vezes, a doação para o pagamento do terreno era superior ao do pagamento da própria casa.

São Francisco de Assis foi escolhido padroeiro em homenagem aos religiosos que colaboraram para o surgimento da comunidade, que eram franciscanos, e também pela devoção popular. Coincidentemente, no mês de outubro, quando se celebra o dia de São Francisco, a Igreja celebra duas santas com o nome de Teresa, que possivelmente inspiraram os loteadores a batizar o bairro com o nome “Jardim Santa Tereza”: Santa Teresinha do Menino Jesus e Santa Teresa d’Ávila.

Na década de 1980, houve aumento expressivo no número de moradores, vindos principalmente dos estados do Nordeste e de Minas Gerais. O crescimento da população fez sentir-se também na comunidade.

As lideranças engajaram-se nas CEBs, na Pastoral Operária e na Pastoral da Criança. Esta última foi por muito tempo, a assistência mais próxima das mães da região, visto que a UBS Maria Rosa Alonso Franco só foi inaugurada em 1990.

As quermesses tinham muito das raízes dos povos que chegaram, desde a simplicidade e o clima familiar, até a incrível capacidade de improvisar quando preciso. Um caso interessante ocorreu em 1981, quando as barracas de quermesse foram feitas apenas de madeiras fincadas no chão, nas quais trabalharam pessoas muito esforçadas na busca de prendas, de patrocínio, nas vendas e na animação.

Em 1982, começou a celebrar-se num barraco de lona, depois substituído por um de madeira. Na missa do dia 18 de agosto, quando o Frei José celebrou a primeira missa no local, na hora da consagração, soprou um vento fortíssimo, que levou os presentes a comungar com uma mistura de areia.

Em 1984, foi criado o “Livro de Ouro”, contabilizado por Antônio Vieira, que registrava as doações dos fiéis para a construção da capela. Nas anotações do livro e em papéis avulsos constam os nomes dos padrinhos e madrinhas da comunidade.

Do Livro de Ouro: Agostinho Tibúrcio Estêvão, Almerinda J. Moreira Valério, Anita, Antônio Augusto de Moura, Ari Coriato, Armínio Leite Faria, Brás Gonçalves de Souza, Celestino Alves Martins, Décio Aparecido da Silva, Djalma Máximo da Silva, Edwiges, Elza Vicente da Silva Nonato, Enéias de Lima Vieira, Enoque Rocha Santos, Expedito Antônio de Oliveira, Felisbela M. de Jesus, Filomena M. de Jesus, Francisco Cardoso Moura Filho, Francisco de Assis Marques, Geraldo Anacleto Nazário, Haide Ribeiro Silva Moreira, Irani V. dos Santos Silva, Ivone Alves dos Santos, Jacira Silva do Carmo, João Alves de Lima, João de Souza Assunção, João Gervásio Concesso, Joaquim Rodrigues de Oliveira, José Afonso de Souza, José Conrado Pinheiro, José Eunézio Vieira, José Ferreira de Sousa, José Jorge de Araújo, José Luiz da Silva, José Nazario, José Pedro de Paula, José Pereira de Araújo, José Sebastião dos Campos, José Zalucchi Filho, Josinei Pinheiro, Lazara Ribeiro da Silva, Luiza de Souza, Manoel da Costa, Manoel Rodrigues da Silva, Manoel Santino Filho, Maria Aparecida da Costa, Maria das Graças M. Campos, Maria de Lourdes Soares de Oliveira, Maria de Souza, Maria do Carmo Neves Ferreira, Maria Helena da Silva, Maria Ignácio, Maria José Marques, Maria Josenita Lima da Silva, Olga Stringasse, Olívia Santos Gomes, Paulo Ignácio, Paulo Inácio, Pedro do Rosário, Raimundo Donato Moreira, Renato da Silva, Roberto Pereira da Silva, Sebastião Augusto, Sebastião Martins, Severino Inácio, Sinval Souza Bastos, Valter do Carmo Martins e Zélia Ribeiro Filho.

De papéis avulsos: Wanderley (R. S. Luiz, 16), Nelson (R. S. Luiz, 33), José da Aninha (R. S. Luiz, 22), José (R. S. Luiz, 27), José Carlos (R. S. Luiz, 113), Dona Maria (R. S. Luiz, 71), Francisco (R. S. Luiz, 99), Dona Elza (R. S. Luiz, 78), José Ivaldo (R. S. Luiz, 28), Luiz Ceará (R. S. Luiz, 154), Hermindo (R. S. Luiz, 162), Manoel Português (R. S. Luiz, 153), Fabiano (R. S. Luiz, 166), Mário (R. S. Luiz, 190), Ildaberto (R. S. Luiz, 89), Francisco de Assis (R. S. Bento, 67), José Soares (R. S. Bento, 97), Dimas Soares (R. S. Bento, 105), Jackson (R. S. Bento, 137), Gabriel (R. Sta. Helena, 220), Jacob (R. Sta. Helena, 225), José Afonso (R. S. Bento, 201), Donato (R. S. Bento, 106), Jayme (R. Sta. Helena, 188), Jorge (Av. S. João, 596), Antônio (R. Sta. Isabel, 312), Cecinho (R. Sta. Isabel, 282), José Zaluschi (R. Sta. Isabel, 291), Cácia João Bosco (Av. Sta. Rita de Cássia, 92), Décio (R. S. Luiz, 370), Adelino (R. Sta. Isabel, 254), José Quiel (R. Sta. Isabel, 142), José Ferreira (R. S. Simão, 12), Francisco (R. Sta. Efigênia, 333), José Soares Alfaiate (R. S. Bento, 97), Carlito (?, 272), Miguel (?, 305), Marcos Antônio (?, 284), José (?, 260), João (?, 358).

Para o prosseguimento das obras incrementaram-se as quermesses e as campanhas. Aliados a isso os pedidos de prendas, com as pessoas caindo pelas ruas e, muitas vezes, perdendo o que conseguiam, pela dificuldade de andar na lama. A construção foi considerada grande demais por muitos, ; questionaram até a vontade de que a capela tivesse sino. Superando as dúvidas do empreendimento, em 1989 a capela foi liberada para o uso, mesmo estando inacabada.

Pelo projeto da capela, foram gastos 20 200 blocos, 71 vigas e 253 telhas, dentre outros materiais, numa área de 243m2. O primeiro batizado realizado na capela foi o de Lucas Teixeira dos Santos, no dia 8 de outubro de 1989, assistido pelo Pe. José Carlos Edgar Ferrari, C.Ss.R.

O terreno para a construção do salão foi comprado graças ao intermédio da Irmã Bertilla, que conseguiu recursos na Alemanha. Não diferente da capela, a construção do prédio de 120 m2 deu-se de maneira bem difícil. Nele estão o salão comunitário, quatro salas, cozinha e banheiros.

Com o desenvolvimento do bairro e o surgimento de novos desafios, outras pastorais e movimentos começaram suas atividades, entre eles estão a Sociedade São Vicente de Paulo (Vicentinos), a Renovação Carismática Católica (RCC), o grupo de idosas, de pintura, de adolescentes, dentre tantos outros.

Geograficamente, a comunidade compreende também os bairros Vila Lavínia e Oásis Paulista, que registram importante participação e necessidades também. Neles o destaque é a atuação dos grupos de rua, a visita aos enfermos e a Campanha da Mãe Peregrina de Schoenstatt.

No dia 25 de julho de 2009, na casa da catequista Sirlei, foi realizada a primeira missa no bairro Oásis Paulista, como gesto de apoio ao 12º. Intereclesial das CEBs, que acontecia em Porto Velho-RO. Aos poucos este bairro se vai integrando às atividades comuns.

Muitas melhorias foram conquistadas, mas infelizmente de forma desigual: as ruas periféricas dos três bairros têm calçamento precário, quando têm; a E. E. Edmundo Luiz da Nóbrega Teixeira (escola pública estadual do Jd. S. Tereza) há muito tempo não comporta a quantidade de alunos; há cortiços, esgoto a céu aberto e muitas pessoas sem rumo na vida: jovens sem oportunidade e excluídos sem perspectiva, situações que ferem a dignidade humana naquilo que ela tem de essencial: o bem-estar.

Em 2007, num encontro que refletia o histórico da comunidade, pediu-se que se lembrasse de pessoas que trabalham há muito tempo na comunidade. Os presentes listaram: Maria de Lourdes Silva (Dona Lourdes, que tem pela comunidade o zelo que se tem com a casa, estando nela quase sempre, ajudando em tudo que pode), Clara Vieira, Geraldo Anacleto Nazário, Irene Nazário, José Salupi, Eulanda Salupi, João Gervásio, Berenice Concesso, José Vieira, Romilda Vieira, Maria da Glória Fagundes, Olímpio Geraldo Fagundes, João (das Panelas), Meire, Paulão, Luci, Antônio da Maria Aparecida, Antônio Marcelino, Maria do Rosário (Lia), Nice, Fátima (do Roberto), Pedro, Joana d’Arc, Conceição Morais, Sirlene, Elenir, Efigênia, Luize, Luiz, Teresinha, Vânia, Gilda, Nilson, Anísio, Rosalina, Valter Pedreiro, Ivone, Beca. Com certeza, se o encontro se prolongasse, a lista seria muito maior. Citando estas pessoas, procura agradecer-se pelo trabalho feito e pedir a Deus que as ajude sempre e que formem novas lideranças para continuar o trabalho.

Os atuais coordenadores são Leonardo e Sandra, que organizam os trabalhos a serem feitos; a vice-coordenadora é a Nice. Na última coordenação estiveram o Roberto e a Cida.

Atualmente, a comunidade desempenha importante papel no contexto paroquial, sendo a maior dentre as comunidades, após a Matriz. Há missas duas vezes por mês e atividades diariamente, com dezenas de voluntários que se revezam nas mais diversas atividades.

Além de tudo o que foi dito, a comunidade é ponto de encontro e de apelo: todos que necessitam de algo buscam ajuda nela: moletas, roupas para recém-nascidos, cadeiras de rodas e muito mais. Tudo o que se consegue é fruto da solidariedade das pessoas.

São Francisco de Assis é celebrado no dia 4 de outubro. A capela fica na Rua Santa Branca, 94, Jardim Santa Tereza. As missas ou celebrações ocorrem nas tardes de domingo.

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